quarta-feira, 28 de maio de 2014

Binário gerencial, a pediculose semântica keynesiana



As ideologias sepultadas com cabeça fora na Segunda Grande Guerra se mexeram nesta década enquanto se desvelam os crimes do fascismo brasileiro, aquele espezinhou a Ciência, Filosofia e História. Emergiram cultos a Hitler, Mussolini, fundamentalismos antigays e racistas. Ponta Grossa o fenômeno sempre frutifica porque é onde filosofar, pensar criticamente, estudar, ler, escrever, arrepiam e causam ânsia. No ensino universitário onde a deficiência de formação em sociologia é clamorosa aparece o terreno adubado para ideologias como o Sul é meu país, Ponta Grossa apenas para pontagrossenses. Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Paulo Freire não são bem vindos. Não são pontagrossenses e podem ter ferido nossa distinta elite com alguma frase em seus escritos. Ponta Grossa vive a pré-modernidade, seu lento avanço se deve a milhares de trabalhadores migrantes do país, que como brasileiros não estão impedido de morarem aqui e exercerem cidadania e atividade intelectual de alcance nacional, a Universidade é exemplo disso. Muitos pontagrossenses, nos departamentos, construíram toda sua referência teórica e profissional em outros grandes centros, morando, consequentemente, em outras cidades. Pergunte-se onde fizeram mestrado e doutorado. O bairrismo além de estupidez e ingenuidade barata é neutralizador do conhecimento científico. Cidade e instituições de ensino estão repletas de  mestres e doutores aprovados em bancas por cientistas e pesquisadores nacionais e internacionais. Não há engenharia capaz de fechar a Ciência e Educação nas fronteiras do município. É com preocupação e seriedadeca que se deve analisar bestialidades que hostilizam a Chapa Mais UEPG. A legislação brasileira não proíbe adesivar, outdoors ou enviar cartinhas   antes de datas humanas pré-estabelecidas sem o aval da infalibilidade papal. A crítica ao regime que perdura na instituição há décadas é repetida ao longo desse período pelas chapas que disputaram. É salutar discutir modelo de universidade. Não estamos nem devemos aceitar limites neste campo. Não se fala em vitória sem respeitar a insatisfação fundamentada confirmado na mínima diferença entre as chapas.
O êxito e a finalidade da Universidade não está em priorizar o carimbo, as relações de poder, imprimir o medo, promove o cabisbaixismo e o reprodutivismo pedagógico. A eficiência diz respeito a qualidade de sua produção intelectual, massa pensante, outorga ao pensadores autônomos que modificam seu campo. Burocratas incapazes de um texto para a coluna do leitor não honram o conceito. A teoria do binário, oriunda das salas de aula da UEPG, não servem dois metros longe de quem a inventou. Faz falta boa leitura. Uma universidade se faz quando seus alunos constroem bibliotecas pessoais de relevância. Odiamos o escritor, odiamos o historiador, desprezamos o filósofo, porque odiamos nossa própria ignorância e pequenez intelectual, porque ele espelha a nossa limitação em não poder sair do esquema, do planejado, coisas as quais o pensamento não pode se prender. O ódio as letras e a paixão desesperada pelo tecnicismo demonstra que não há maior prova de amor a cidade do que desejarmos que ela não se aprofunde na escuridão. Finalmente, há indivíduos que mesmo ganhando não se conformam em perder. Como escreve Nelson Werneck Sodré, a História não os registrará.


Acir da Cruz Camargo, natural de Guaragi, Historiador

* O Diário dos Campos editou este meu artigo. O texto acima foi o original que enviei à Editora. Confesso que gostei da publicação no DC do dia 28/05/2014 (http://www.diariodoscampos.com.br/blogs/artigos/universidade-da-esperanca-6158/). No entanto, o texto original respondia aos ataques pessoais feitos à Chapa MAIS UEPG por parte de um articulista do jornal - http://www.diariodoscampos.com.br/policia/alunos-e-funcionarios-nao-se-sentem-seguros-na-uepg-42897/

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